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A adoção é uma opção

Cerca de 90 crianças já foram adotadas no Brasil

O Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB) é referência em nascimentos na capital do país. Segundo registros da unidade de saúde, nascem em média 315 crianças por mês no local, sendo que 0,2% delas são abandonadas ou deixadas sem identificação. Esses bebês passam por um processo de adoção pela equipe médica, ganham nomes, sorrisos e enxovais das enfermeiras.  

 

A entrega para a adoção pode vir acompanhada de algum trauma, como explica a assistente social Cristiane Scarelli. “Existe a Z, um dos bebês encaminhados para a adoção. A genitora tinha acabado o relacionamento e viveu momentos de abuso com o ex-companheiro e decidiu não ficar com a criança”. A profissional conta que, na hora do parto, precisa retirar as crianças de perto das mães antes mesmo que chorem. “Tomamos a decisão de não deixar que essa mulher escute o choro do bebê, para não criar laços afetivos". 

Já história do bebê C é diferente. A mãe iniciou o processo e desistiu, por repressão da família. Casos de interferência familiar acontecem, mesmo que a decisão tenha que ser da genitora. Segundo Cristiane Scarelli, as mães que buscam por apoio para que seja feito o procedimento de entrega para a adoção têm características em comum. ‘’Geralmente as mães são de baixa renda, enfrentam dificuldades com o cônjuge, muitas não têm o companheiro, são mulheres sozinhas.’’ destaca. 

O desamparo social faz com que mulheres grávidas sintam-se abandonadas e muitas vezes desprotegidas, diante do nascimento de uma criança. Isso causa diversos problemas psicológicos, como explica Alessandra Arrais, psicóloga perinatal. ‘’Durante o processo tentamos minimizar os danos à saúde mental dessas mulheres, evitando preconceito e mantendo o total respeito e apoio à decisão’’.  

 

Segundo a psicóloga e advogada Luciana Barbosa Musse, a população criminaliza genitoras que buscam encaminhar os recém-nascidos para a adoção, visto que esse processo é entendido como um ato de abandono para a sociedade, o que pode tornar a decisão agressiva psicologicamente para as mulheres. ‘’Muitas mães escondem a gestação e abandonam seus filhos por medo do processo de adoção e dos julgamentos sociais".

Alessandra Arrais afirma que existe negligência e falta de amparo criando um ciclo de maus tratos, agressões até uma relação tóxica entre mães e filhos ‘’Muitas mulheres não optam pela adoção, mantêm a gestação e não fazem o acompanhamento psicológico, acabam abandonando de certa forma a criança’’, explica.  

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por AMANDA MEIRELIS 

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